Artigos sobre processos

VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA SER UM LIDESTOR ?

As empresas necessitam hoje profissionais que somem ao máximo possível a criatividade de um líder com a eficiência de um gestor. Ou ainda, profissionais que saibam planejar como um gestor mas tenham a visão do todo, como um líder.
Por Dieter Kelber


Neste mundo cada vez mais complexo, onde os desafios se avolumam e globalizam todos os dias não é mais possível pensar e agir de forma segmentada. É preciso somar conhecimentos, habilidades e motivações. É preciso usar todos os sentidos e todo o potencial de nosso cérebro e mente. Quando olhamos ao nosso redor é fácil identificar pessoas que são claramente líderes e péssimos gestores. Assim, como podemos reconhecer os fantásticos tocadores de projetos, comandando centenas de pessoas, sem a mínima sensibilidade de liderança. Quem tiver tendências apenas para um dos lados precisa urgentemente buscar desenvolver o outro. As empresas precisam de líderes que sejam gerentes e de gerentes que sejam líderes. Ou seja, elas precisam de "lidestores".

 

E quais seriam as características mais latentes dos "lidestores" ? Talvez a que desponta como uma das mais importante seja a de trabalhar com a cabeça e com o coração, conforme os cenários forem exigindo trabalhos com mais ciência ou arte respectivamente. A ética, o caráter, assumir e ter responsabilidade conforme as dimensões do conceito de desenvolvimento sustentável e ter estabilidade emocional, mesmo no caos, são fundamentais. Ouvir, orientar, dar "feedback", delegar, corrigir, tomar decisões, motivar, trabalhar em e com equipes, dedicar-se para o sucesso do todo e de todos, desenvolver as pessoas e ter talento social surgem como mola propulsora advinda da liderança e gerência e voltada para um resultado global. Planejar, ter intuição, controlar, ter sensibilidade, cuidar dos detalhes, ter visão holística, cuidar dos processos, ter dedicação ao coletivo, aprender a aprender, aprender a aprimorar, aprender a re-aprender, aprender a recomeçar, aprender a ensinar, fomentar a melhoria contínua, desenvolver a percepção, cuidar dos clientes, gerir projetos e inovar são competências complementares que transformam líderes e gerentes em "lidestores".

 

Executivos que não sejam "lidestores" terão cada vez mais dificuldades de cumprirem suas metas, cada vez mais repletas de indicadores que envolvem simultaneamente resultados econômicos e de gestão do capital humano. Indicadores estes que permeiam de forma globalizada e interdependente os processos das empresas. Num mundo em que a colaboração é essencial para a competitividade, o crescimento e o lucro das empresas, ser um "lidestor" é condição essencial para ter sucesso na nova economia global. Eles precisam praticar a liderança colaborativa, ajudando não só as suas equipes, mas também os seus pares e todos os stakeholders que estejam de alguma forma contribuindo para a sustentabilidade da organização. A sobrevivência da empresa é no fim das contas a sobrevivência da grande maioria que lá trabalha ou depende dela.

 

Os "lídestores" devem ainda usar a emoção para inspirar as pessoas a liberar energia e assim soltarem a sua motivação de dentro para fora. Cabe a eles serem os grandes estimuladores da motivação interna da equipe no ambiente de trabalho.

 

E como devemos nos preparar para ser um "lidestor"? O desenvolvimento deve começar o mais cedo possível, sendo fundamental que invistamos no auto-conhecimento, ou seja, que saibamos quais são as nossas motivações internas, nossas habilidades natas, nossas competências chaves, pontos fortes e fracos, e tantas outras características pessoais que cada um de nós tem. Apenas com uma boa base de auto-conhecimento nos será possível perceber e entender como são os outros com quem lidamos. Só assim conseguiremos estabelecer um nível otimizado de comunicação e conseqüente entendimento. A comunicação é elemento indispensável em ambiente de colaboração, seja nos processos onde o "lidestor" está inserido ou nas redes de interações nas quais pertença.

 

 

 

Um outro aspecto importante que deve ser observado é a questão da aprendizagem institucional, que deve ser alavancada pelos "lidestores", e que passou a ser um importante fator de competitividade. Eles devem transformar em ação as novas formas de se lidar com a educação de adultos. A inovação consiste em grande parte em saber fazer com que as pessoas evoluam frente a desafios reais através de formas diversificadas de aprendizagem. O uso de perguntas, metáforas, raciocínio analógico, intuição, imaginação são essenciais para mobilizar pessoas na superação de obstáculos e geração de algo novo, diferente e impactante. Essa abordagem nem sempre é conhecida pelos gestores, líderes e profissionais de recursos humanos. O "lidestor" deve atuar como mediador de aprendizagem numa diversidade de situações e para tanto necessita ter competências desenvolvidas nesse campo.

 

Os desafios são muitos e as competências necessárias também, por isso é preciso iniciar-se cada vez mais cedo a prática de gestão e liderança de forma multidisciplinar e interdisciplinar, criando assim uma base para que possamos nos desenvolver e moldar em um "lidestor".



SOBRE O AUTOR
Dieter Kelber

Dieter Kelber, é Engenheiro, formado pela PUCRJ, atuando sempre como Executivo em empresas multinacionais de porte, acumulou uma vasta experiência na área de Gestão Empresarial. Possui cursos de extensão em Automação Industrial pela Siemens A.G. e Marketing pela ESPM, sendo pós-graduado em Políticas e Estratégias pela ADESG/USP. É pesquisador associado do NAIPE/USP.

Atualmente é consultor, professor, pesquisador e Presidente Executivo do INSADI e integra o corpo docente da Business Process School. Estudioso e autor de diversos artigos sobre desenvolvimento de competências alinhadas ao perfil da personalidade, é também consultor em desenvolvimento pessoal e coaching, e especializado em gestão de mudanças.

É também Diretor-executivo da empresa Kongress - Eventos Corporativos e Científicos. Coordena o Comite de Capital Humano da Câmara de Comércio Sueco-Brasileira. É autor de diversos artigos na área de negócios e do capítal humano na mídia em geral, sendo articulista no tema Human & Business Excellence.

Desenvolve pesquisas nas questões de liderança e gestão, sendo o criador do conceito LIDESTOR.






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